Por: George

Em um tempo recorde, o CQC tornou-se o programa com o segundo intervalo comercial mais caro e disputado da Band, ao alcançar 5 pontos no Ibope (o mesmo número do futebol). Para conseguir um lugar na platéia da atração, que vai ao ar às segundas-feiras, às 21h45, é preciso esperar dois longos meses.

A produção recebe, por dia, dois mil e-mails, sem falar nas 300 mensagens diárias que chegam à caixa do apresentador Marcelo Tas. Na internet, blogs e comunidades de fanáticos pelo programa se multiplicam.

Parece que a fórmula é só sucesso, mas existem vozes dissonantes. Em sua coluna semanal, no dia 5, o editor do Caderno B, Mario Marques, ousou falar mal do CQC.

Imediatamente, recebeu centenas de mensagens com ameaças de cancelamento de assinatura do jornal, xingamentos e urucubacas. Não deu outra. Na semana seguinte, Mario reconheceu que “não se pode falar mal do CQC”, embora continuasse a criticá-lo: “É ruim”, escreveu.

Fim da unanimidade

Marcelo Tas leu as duas colunas e comemorou o fim da unanimidade.

– Quando a crítica é sincera, merece uma discussão. Às vezes, o público escreve dizendo que pegamos muito leve com os políticos ou não fomos bem com uma celebridade. Mas acho que falta auto-estima no brasileiro. Quando alguma coisa dá certo, logo criticamos. Somos muito jacus – analisa Tas, que fica na bancada comandando os homens de preto.

Da China, Felipe Andreoli, repórter do programa que está cobrindo as Olimpíadas e entra ao vivo na Band, dá a sua opinião sobre a (suposta) polêmica.

– Li as duas colunas do Mario. Acho que ser do contra é bom também, dá audiência, né? Acho que ele nunca teve tanta repercussão na coluna. Talvez por isso tenha escrito outra – cutuca Andreoli. – Adoro críticas quando elas são construtivas. Na minha opinião, não foi o caso na coluna Abaixo o CQC. Mas, tudo bem, deixa ele assistindo ao Manhattan Connection, ele tem tudo a ver com o Diogo Mainardi. Ah, e manda ele comprar um sofá novo.

Nas comunidades virtuais do Orkut, é possível encontrar algumas observações menos favoráveis, no mar de elogios.

O estudante de biologia Giovanne Mendes, 18 anos, por exemplo, acredita que existe uma opinião superestimada do CQC.

– Não é só porque tratam de assuntos sérios, como política, usando uma linguagem polida, que eles são bons – diz o estudante.

– As piadas deles são previsíveis, manjadas, chulas. É incrível como conseguiram construir uma aura de inteligência e humor.

O protético odontológico Francis Ortolan, 27 anos, também implica com os apresentadores.

– Apesar de ser considerado um programa de humor inteligente, não significa que seja para pessoas inteligentes. Outra coisa de que não gosto é o Top five. Quando começa, desligo a TV e vou fazer qualquer outra coisa.

Mas a grande massa derrete-se com os quadros Proteste já, Teste de honestidade e CQC Teste, por exemplo.

Até hoje, o jornalista e humorista Marcelo Adnet só viu trechos do CQC. Mesmo assim, considera o programa muito engraçado.

– Acho importante eles estarem na TV aberta, porque a equipe é talentosa e já mudou a nossa visão do humor, mais inteligente sem ser galhofeiro – diz Adnet, do programa 15 minutos, da MTV Brasil.

No início, o programa foi comparado ao Pânico na TV, da Rede TV!, e com o Casseta & Planeta, urgente!, da TV Globo. Aos poucos, Rafinha Bastos, Rafael Cortez, Danilo Gentili, Marco Luque, Oscar Filho, além de Tas e Andreoli, foram mostrando as suas melhores qualidades. Com o timing e as sacadas na lata.

– Conseguimos nos diferenciar e fazer um jornalismo irreverente sem desrespeitar ninguém – garante Tas. – No começo, resvalamos em alguns preconceitos contra a opção sexual, mas nos corrigimos. O importante é que não vamos ficar nos patrulhando. É melhor errar para mais e arriscar do que ficar fazendo patrulha.

Os que porventura citaram o CQC brasileiro como cópia do argentino se deram mal. Trata-se da mesma produtora, a Cuatro Cabezas, que produz todas as versões do programa, que nasceu na Argentina e que, hoje, já existe em mais de uma dezena de países. Com uma equipe de 15 profissionais que trabalha de segunda a segunda, a produção nacional tem no comando um argentino, Diego Barredo, que sabe tudo sobre o Brasil.

– Escuto as críticas, mas acho que as pessoas dão muita importância à TV – indigna-se Barredo, que aproveita para fazer uma proposta ao editor Mario Marques. – Ele está convidadíssimo para vir ao programa. Vamos comer a comida do catering, falaremos sobre futebol e sobre qualquer coisa, menos sobre o programa.

Fonte: JB Online

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