Menos de três meses depois de ter estreado, o late show de Danilo Gentili na Band será ampliado em 50%. A partir do dia 20, o Agora é Tarde saltará de duas para três edições por semana, indo ao ar às terças, quartas e quintas-feiras, às 23h45.

Gentili ainda se mantém no CQC, nas noites de segunda-feira - Filipe Araújo/ AE
Filipe Araújo/ AE
Gentili ainda se mantém no CQC, nas noites de segunda-feira

Ainda em março, quando a Band anunciou sua programação para o ano e o título destinado a Gentili era apenas projeto, o humorista insistia em dizer que sabia que em algum momento as coisas começariam a dar errado e ele se veria forçado a voltar para Santo André.

Não foi dessa vez. Além do expediente solo, que tem garantido à Band audiência excepcional para o horário na emissora – de 4 a 5 pontos em São Paulo – Gentili se mantém no CQC, nas noites de segunda-feira, e estreia uma série de oito programas de stand up no canal Vh1, dia 4 de outubro. Até o fim do ano, põe na praça mais um DVD e um jogo para iPad.

Ao consolidar audiência em novo nicho, o humorista – também publicitário, cartunista, repórter, empresário, apresentador e roteirista – ganha destaque no cast da casa e vê como real a possibilidade de seu programa vir a ser diário em 2012.

Fórmula que bebeu na fonte dos late nights lá de fora, o Agora É Tarde frequentemente chega ao topo dos assuntos mais comentados no Twitter, seja pelas entrevistas, seja pelos quadros de humor, base do programa. Isso reflete a aceitação do público jovem, que chega cedo aos estúdios da Band para acompanhar as gravações, sempre realizadas no dia em que a edição vai ao ar.

No camarim e já devidamente engravatado, Gentili e os companheiros de palco Léo Lins, Murilo Couto, Marcelo Mansfield e a turma do Ultraje a Rigor se preparam para uma reunião antes de subir ao palco. Num espaço dominado por homens, a repórter do Estado foi convidada se retirar. As piadas que surgiriam poderiam ser impublicáveis, alegaram, ou politicamente incorretas, o que não condiz com o viés que o programa tem tentado construir.

Reunião encerrada, a banda toma seu lugar e os humoristas esquentam a plateia com algumas gracinhas. Não resolve muito. Antes do “gravando”, parte da produção trata de ler o texto que será falado pelo apresentador para indicar onde a plateia deve rir, com auxílio de plaquinhas onde se lê “aplausos” e “risos”. Mas uma produtora faz questão de avisar, caso alguém se perca: “gente, vocês podem rir e aplaudir quando quiserem, não precisa esperar a plaquinha, ok?”.

Com tudo quase pronto, Gentili se apresenta, cumprimenta o público, faz alguns testes. Meninas na plateia se empolgam.

A não ser por obra de alguns problemas técnicos, a gravação só é interrompida quando Gentili e seus companheiros passam dos limites. “Vamos ter de gravar essa parte de novo porque a gente não pode falar que a festa de Barretos é feia”, avisa o apresentador, acatando uma orientação do diretor, Marcelo Zaccariotto, já que o evento tem apoio da Band. “É uma festa linda, impecável”, diz Gentili, para ouvir de Murilo Couto “oh, linda Barretos!”. Corta!

Trupe. Quando soube que teria um programa nos moldes que queria, Gentili buscou parceiros para a empreitada. Marcelo Mansfield, seu “padrinho” na carreira, foi o primeiro. “A gente falava que faltava um late night, nesse formato, na TV brasileira. Eu só voltaria para a televisão se fosse um projeto que realmente me desse tesão, como foi o caso”, conta Mansfield, orgulhoso, que já estava longe da TV havia três anos.

Menos óbvio foi o convite para que a banda Ultraje a Rigor viesse a integrar o elenco fixo do programa. Embora veja sua atuação e a da banda mais parecido com o que Paul Shaffer faz no late show de David Letterman, o vocalista, Roger, brinca que já foi comparado a Bira, do Sexteto do Jô. A mistura deu certo. “O contrato era inicialmente de 13 programas, pensando na possibilidade de ser um fracasso total, o que não foi o caso. Já renovamos por mais um ano”, conta. Como se vê, nada indica que Gentili volte tão cedo ao ABC.

 

Fonte: Estadão

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